terça-feira, 1 de março de 2011

Alongar ou Não?

Eis a questão.

Por. Prof. Alexandre C. de Souza – CREF4 059993 G/SP

A saúde está em moda, haja vista canais de TV com programas específicos sobre saúde e jornais e revistas com seções exclusivas sobre tema. A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu SAÚDE como um completo estado de bem estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença (WHO, 1946). Um dos quesitos de saúde é o bem estar físico, quesito esse que vive uma crescente (ainda pífio) na população brasileira, praticando as mais variadas “modalidades” da atividade física, durante muito tempo era recomendado a essa prática que ela fosse “cheia” de cuidados, dos tipos, “Alongue os músculos antes para não se lesionar”, “faça exercícios de forma moderada, não se exceda” e por ai seguiam essas recomendações.

Com a evolução cientifica da Educação Física no Brasil e pelo mundo afora essas recomendações deixaram de ser baseadas em conhecimentos empíricos (sem caráter cientifico) para ser totalmente baseadas em ciência.

Um dos temas mais polêmicos ao publico é o ALONGAMENTO, afinal você já se fez a pergunta para que alongar antes ou depois de um treino, de uma corrida, ou seja, de qualquer prática de atividade física? Esse tema é o que mais está enraizado na cultura popular e que “cutuca” a ferida dos menos atualizados, pois como diz meu amigo Prof. Thiago Tripoloni Arivabene Graduado em bacharel em Educação Física pela UNICAMP e pós-graduado em Fisiologia do Exercício pela UNIFESP “...Até hoje muitos educadores físicos recomendam o alongamento antes do exercício com a alegação de prevenir lesões e preparar a musculatura para a atividade a ser realizada. Para os mais "antenados" na produção científica e pesquisas na área de exercício, saúde, e rendimento esportivo, já se sabe que esta prática não é mais necessária, e muitas vezes contra-produtiva ao tipo de desporto a ser realizado...”.

Olhem só o que a Folha de São Paulo publicou no seu caderno EQUILIBRIO destaca essa manchete... Tanto faz alongar antes do exercício, revela maior pesquisa já feita sobre tema de 20 de outubro de 2010 http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/817535-tanto-faz-alongar-antes-do-exercicio-revela-maior-pesquisa-ja-feita-sobre-tema.shtml, a revista VEJA de 19 de fevereiro de 2011 destaca essa manchete ... Alongar antes de correr não previne contusões http://veja.abril.com.br/noticia/saude/alongar-antes-de-correr-nao-previne-contusoes, O ESTADÃO destaca Alongar-se antes de correr não tem impacto sobre lesões, diz estudo http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,alongar-se-antes-de-correr-nao-tem-impacto-sobre-lesoes-diz-estudo,683061,0.htm.

Os estudos sobre o alongamento se tornaram mais consistentes na literatura cientifica a partir de 2002, mostrando que além de não prevenir lesões o alongamento não diminui em nada a dor muscular tardia (aquela que você sente após fazer qualquer atividade física e que às vezes dói por dias) e também não contribui para maior produção de força colabora com esse conceito Daniel Umpierre de Moraes, Professor de educação física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), doutorando em Ciências da Saúde e fundador do Evidência Saúde http://www.evidenciasaude.com.br/ vejam bem o que estou escrevendo aqui não é opinião minha ou de meus colegas de estudos continuados, são resultados de artigos científicos que DEVEM nortear a prescrição da atividade física seja ela qual for.

Mas antes de darem o veredicto NÃO ALONGUEM MAIS !!!! Os estudos mostram que a prática de alongamento tem benefícios visíveis para o relaxamento e equilíbrio muscular e os estudos não contra-indica necessariamente a prática de alongamento, mas nos esclarece as limitações desta intervenção.

Referencias Bibliográficas

1.Effects of stretching before and after exercising on muscle soreness and risk of injury: systematic review.Herbert RD, Gabriel M.BMJ. 2002 Aug 31;325(7362):468.


2.
Prevention of sports injuries: systematic review of randomized controlled trials.Aaltonen S, Karjalainen H, Heinonen A, Parkkari J, Kujala UM.Arch Intern Med. 2007 Aug 13-27;167(15):1585-92.

3. Effects of stretching before and after exercising on muscle soreness and risk of injury: systematic review", 2005

4. J. C. Andersen "Stretching Before and After Exercise: Effect on Muscle Soreness and Injury Risk"

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um dos motivos de se promover a musculação para a terceira idade

Redução da pressão arterial e do duplo produto de repouso após treinamento resistido em idosas hipertensas (resumo)

Denize Faria TerraI; Márcio Rabelo MotaI; Heloísa Thomaz RabeloI; Lídia M. Aguiar BezerraI; Ricardo Moreno LimaI; André Garcia RibeiroI; Pedro Henrique VinhalI; Raphael M. Ritti DiasII; Francisco Martins da SilvaI
I
Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Católica de Brasília (UCB), Brasília, DF - Brasil
II
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP - Brasil


RESUMO

FUNDAMENTO: Em razão das controvérsias existentes na literatura quanto aos possíveis benefícios do treinamento resistido (TR) sobre a pressão arterial de repouso (PA) e por causa da escassez de estudos com indivíduos idosos e hipertensos, o TR é pouco recomendado como forma de tratamento não-farmacológico da hipertensão arterial.
OBJETIVO: Verificar os efeitos do TR progressivo sobre a pressão arterial de repouso (PA), a freqüência cardíaca (FC) e o duplo produto (DP) em idosas hipertensas controladas.
MÉTODOS: Vinte mulheres idosas (66,8 ± 5,6 anos de idade) sedentárias, controladas com medicação anti-hipertensiva, realizaram 12 semanas de TR, compondo o grupo do treinamento resistido (GTR). Vinte e seis idosas (65,3 ± 3,4 anos de idade) hipertensas controladas não realizaram exercícios físicos durante a pesquisa, constituindo o grupo-controle.
RESULTADOS: Houve redução significativa nos valores de repouso da pressão arterial sistólica (PAS), da pressão arterial média (PAM) e do DP após o TR. Não foram encontradas reduções significativas na pressão arterial diastólica (PAD) e na FC de repouso após o TR em ambos os grupos. A magnitude da queda no GTR foi de 10,5 mmHg, 6,2 mmHg e 2.218,6 mmHg x bpm para a PAS, PAM e o DP, respectivamente.
CONCLUSÃO: O TR progressivo reduziu a PAS, PAM e o DP de repouso de idosas hipertensas, controladas com medicação anti-hipertensiva.



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Isso é muito sério

Nível de conhecimento do Profissional de Educação Física frente a alunos com hipertensão arterial nas academias de ginástica.

Luciana Zaranza Monteiro - Itana Lisane Spinato - Carlos Antônio Bruno da Silva
Zélia Maria de Sousa Araújo Santos - Renan Magalhães Montenegro Júnior.

Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum 2010, 12(4):262-268

A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e atinge parcela considerável da população brasileira. O objetivo deste estudo foi avaliar o nível de conhecimento dos Profissionais de Educação Física que atuavam com alunos hipertensos, comparando-os com os profissionais que não atuavam.
Participaram 400 profissionais que atuavam nas academias de ginástica do Município de Fortaleza, CE. Foi utilizado um questionário sobre o conhecimento de critérios da hipertensão arterial, tipos de exames laboratoriais solicitados, tipo de hipertensão dos alunos, cuidados gerais para a prática de atividade física e recomendações para adquirir um melhor controle da hipertensão. Dos 400, 302 (75,5%) atuavam com alunos hipertensos, destes, 236 (59%) baseavam-se apenas na informação do aluno para o diagnóstico de hipertensão.
A respeito das situações em que os profissionais contra-indicavam a atividade física para alunos hipertensos, 130 (43,1%) informaram PA elevada, 47 (15,5%) nenhuma situação e (21,5%) não sabiam informar. Sobre a mensuração da PA antes e depois da atividade física, observamos que a maioria (62,3%) dos profissionais que atuavam com alunos hipertensos não verificava a PA. O conhecimento desses profissionais acerca da hipertensão arterial em academias foi insuficiente. Sugere-se que estudos mais específicos sejam realizados a fim de obterem-se dados que auxiliem na elaboração de programas voltados à atuação do profissional que esclareçam as necessidades do aluno hipertenso nas academias de ginástica.